26.11.12

De conchinha é mais gostoso




Passou a ser comum os casais separarem as contas, as tarefas e os amigos. Agora, até a cama entrou na dança. Dormir em quartos separados virou moda. Pouca gente assume, mas muitos fazem. Essa prática demonstra que a individualidade, hoje, é mais importante do que dormir abraçadinho ou de conchinha com a pessoa amada.
Em entrevista à Folha de São Paulo, a médica do sono, Ângela Beatriz Lana, afirmou que cerca de 40% dos seus pacientes dormem em camas ou quartos separados, mas que dificilmente assumem isso para as famílias.
Na época dos meus avós, seria um absurdo dizer que marido e mulher não dormem no mesmo quarto. Um indício de ter outro – ou outra – na jogada. A geração seguinte passou a dormir tão juntinha, que até filho, cachorro, periquito e papagaio dividiam o mesmo espaço no quarto. Hoje, estão querendo mudar isso. Cada um no seu quadrado. Diria que o egoísmo consumiu os casais contemporâneos.
A desculpa para isso: o sono. Dormir junto atrapalha o parceiro, que pode ter insônia, apneia, roncar, gostar da televisão ligada, a temperatura mais fria ou ler até de madrugada. Além disso, os adultos têm, em média, 30 microdespertares por noite e, quanto maior for esse número, mais cansados acordam na manhã seguinte. Então, para cuidar da saúde e diminuir o nível de estresse, deixam de cuidar de seus relacionamentos.
Falta de amor, hábito estranho, descuido, chame como quiser, mas isso pode trazer problemas para a vida a dois. Seria essa a tentativa de um namoro prolongado? Não tem como dar certo. Estar casado exige uma série de responsabilidades e compromissos. Não dá para discutir ou até mesmo ter uma noite de amor e depois cada um vai para sua casa ou, nesse caso, para o seu quarto. Pensar apenas no próprio espaço pode separar os corpos.
Passar a noite em quartos separados faz o casal perder momentos importantes. Enquanto os dois se preparam para deitar, podem conversar sobre o dia que tiveram, trocar experiências, olharem-se nos olhos. Com a rotina turbulenta de hoje, muitos nem conseguem se ver durante o dia. Continuar separado a noite, não dá.
Também em entrevista a Folha, Luciana Palombini, do Instituto do Sono da Unifesp, pontua que apesar dos prejuízos que a companhia durante a noite pode causar, dormir junto traz benefícios emocionais. Segundo ela, dividir a cama com o parceiro passa segurança e aconchego, “o que é bom para tudo, inclusive para o sono”.
A cama deve ser o lugar mais significativo da casa. É ali que o dia começa e termina. É nesse espaço que o casal pode partilhar desejos e sentimentos. No quarto, que é um ambiente só para eles, é o lugar de estarem juntos e, de preferência, de conchinha.

28.9.12

{Sur}Real

Meu conto de fadas seria viver a nossa realidade...

Meu príncipe não chegou montado em um cavalo branco, vestido com trajes de baile e trazendo meu sapatinho perdido. Mas, posso dizer que ele me completou nos defeitos e qualidades, trazendo a pitada que faltava para fazer os meus dias especiais.

Ele não se transformou em uma fera e voltou ao normal com o suave toque dos meus lábios, nem foi rude comigo até que eu me apaixonasse. Pelo contrário, conquistou-me diariamente com sua gentileza e generosidade, alegrando minha vida desde o primeiro momento.

Meu príncipe não me salvou dos feitiços de uma bruxa má e vaidosa. Também não se encantou pelo meu canto suave na floresta. Mas, derramou em mim a poção mais poderosa do amor, encantando-me com sua coragem e determinação.

Ele não despertou sua bela adormecida de um sono profundo, muito menos precisou subir em uma torre para me encontrar. Porém, despertou-me para o amor mais puro e verdadeiro, depois de escalarmos juntos imensas montanhas.

Meu príncipe não me fez deixar minha família no fundo do mar, para viver a vida sob dois pés. Pelo contrário, fez-me mergulhar intensamente em um oceano de possibilidades, enquanto mantinha meus pés em terra firme.

Ele não é verde, nem arrota na mesa ou assusta as pessoas. Mas, surpreende-me com sua dedicação e carinho em me fazer feliz, quando coloca de lado seus próprios desejos para realizar os meus. 


Mesmo que não dure para todo o sempre, posso dizer que vivi a mais bela história dos contos de fada, quando encontrei o meu príncipe. Nem menos nem mais encantado, mas só meu.

11.6.12

"É complicado estar só...

Quem está sozinho que o diga
Quando a tristeza é sempre o ponto de partida
Quando tudo é solidão
É preciso acreditar num novo dia"

Legião Urbana - Natália

Há momentos em que fraquejamos. Sentimos vontade de desistir, jogar tudo para o alto e ficar apenas olhando para trás.
Nos apegamos aos detalhes, as fases, aos desafios e obstáculos do passado. Nos apegamos as pessoas, aos amores e aos amigos que já não fazem mais parte de nossas vidas. Procuramos no passado algum conforto, algo que nos remeta a uma felicidade partilhada. Buscamos nas lembranças aquilo que pensamos faltar hoje. 
Tentamos encontrar a felicidade nas realizações, no trabalho, no amor...Esquecemos que ela depende das nossas escolhas, da nossa perspectiva, do nosso equilíbrio particular. Esquecemos que a felicidade não dura para sempre. Neste caso, o para sempre realmente não existe. Podemos nos sentir felizes por um momento, por alguns minutos, por horas, até dias.  Mas, estar feliz exige dedicação em tudo que fazemos, exige que transformemos cada instante em uma conquista, que aproveitemos cada segundo. Não estamos prontos para isso. Não queremos estar felizes, queremos ser felizes. Por isso, é tão complicado encontrarmos a felicidade também nos momentos de solidão. 
É difícil estar só, machuca, é duro, nos desestabiliza. Afinal, acreditamos, desde criança, que precisamos encontrar um parceiro. Nos ensinaram que dois é melhor do que um e que juntos somos mais fortes. Por isso, perdemos as forças quando temos que caminhar sozinhos. Perdemos o rumo. Achamos que não somos capazes de seguir em frente. Fazemos isso porque não nos basta estar só. 
Talvez seja esse o nosso erro: projetar nas pessoas aquilo que esquecemos de procurar em nós mesmos.


1.6.12

Uma dose de bobagem, por favor!


Entre a ressaca do martíni e a do cinema, prefira a segunda! 
Os indivíduos contemporâneos vivem constantemente cercados por pressão. É a mãe que grita, o namorado que reclama atenção, o chefe que pede o relatório, o professor que exige novos trabalhos, as notas na faculdade que variam entre o ruim e o pior... Impossível dar conta. Precisamos fugir da realidade de vez em quando. tanto para ser feito e há tanta cobrança também que, em alguns momentos, é necessário desligar-se e dedicar um período apenas ao relaxamento de nossas mentes. Nessas ocasiões, os filmes podem ser grandes aliados. O cinema pode funcionar como uma dose de bobagem para que consigamos encontrar um equilíbrio ou, pelo menos, um gás para enfrentarmos as complicações cotidianas.
Há quem goste do cinema europeu, mas quando falamos em bobagem, nada melhor do que um típico filme hollywoodiano. Afinal, a indústria de Hollywood conseguiu desenvolver um sistema de identificação da sociedade com suas produções. Conseguimos nos enxergar nos mocinhos ou nos vilões, relacionamos os sonhos e as vontades deles com as que temos. Melhor, temos a ideia de que é possível alcançar a felicidade e atingir os nossos objetivos. Os filmes “massificados” nos dão esperança. Eles mexem com nossas emoções e, principalmente, estimulam nossa imaginação.
A estética de Hollywood constrói produções quase palpáveis. É fácil entrar e viajar junto com a história, pois os elementos, o ambiente, os atores... Tudo não passa de uma representação quase fiel da realidade e do comportamento humano. Por cerca de 90 ou 120 minutos nos desligamos do nosso mundo para entrarmos em outro. Para nós, esse outro lugar é como o que vivemos, a diferença é que nele tudo dá certo no final e no último momento, nos últimos segundos antes de aparecer o “the end” a felicidade sempre rouba a cena. O mocinho abraça intensamente sua amada, eles se beijam e todo o sucesso está garantido. É isso que realmente queremos. Desejamos ser surpreendidos com uma felicidade premeditada. Gostaríamos que a nossa vida fosse como nessas comédias românticas baratas em que o personagem principal leva uma vida comum e sem graça, a não ser pelo fato de se dar mal desde o início. Ele acha que nunca vai encontrar o amor verdadeiro ou já o encontrou, mas não tem chances. De repente, algo maravilhoso acontece. Nos filmes hollywoodianos é tudo previsível e é isso que a maior parte das pessoas procura: estabilidade. Queremos saber exatamente onde estamos pisando e, claro, queremos ser felizes – mesmo que seja apenas na última cena, pois é esse sentimento que nos dá vontade de percorrer nossos caminhos, essa esperança de que o nosso final também seja feliz. O cinema, com essa imagem progressista norte-americana acalenta nossas preocupações, é um refúgio quando estamos descontentes, uma possibilidade de nos realizarmos – ainda que por alguns minutos.

4.5.12

Nós, Robôs


- Não tenho.
- Eu não quero te pedir nada, não sou um mendigo! Você nem me deixou falar... Não dá pra conversar com gente como você.

Essas falas fazem parte de uma cena que vivenciei no terminal. Um rapaz estava sentado ao lado de sua namorada, enquanto esperavam o ônibus. Quando um homem de rua se aproximou, ele reagiu rapidamente. É possível que ele quisesse se livrar da chateação ou talvez tenha feito aquilo apenas para ''se mostrar'' para a namorada. Esse comportamento é comum. Quantas vezes você já deixou o ''hoje não" na ponta da língua e já foi falando, antes mesmo que a pessoa te oferecesse algo? 
É comum porque nós não ligamos para aquela pessoa. Nós nem damos a ela o direito de falar conosco. Talvez por nos acharmos superiores demais ou por, simplesmente, não ligarmos. Há milhares de indivíduos na mesma situação. Há ainda, aqueles que conseguiram sair dessa vida de privações e alcançaram um espaço nas universidades ou no mercado de trabalho. É tão corriqueiro que não existem motivos para esse tipo de coisa merecer o nosso olhar. Nós subestimamos nossos semelhantes.
Os detalhes fazem a diferença. As pessoas podem fazê-la também. Elas só precisam se dar conta da importância que cada instante tem em nossas vidas. Cada momento é único.
Nós estamos acostumados com tudo e acabamos vivendo no "piloto automático". Nosso comportamento é tão robótico que nem enxergamos mais as pessoas. Não enxergamos nada além de nós mesmos.
O ser humano precisa ter a capacidade de se indignar, diz uma professora. Infelizmente, o que acontece em nosso cotidiano é justamente o contrário. As pessoas se habituaram a reagir de maneira padronizada. Elas generalizam comportamentos, respondem da mesma maneira a estímulos diversos. Pior, elas não se importam.

29.4.12

'Goodbye my lover...

...Goodbye my friend,
You have been the one,
You have been the one for me'
James Blunt



Ela os viu indo embora. Eles sempre vão. Talvez um deles fique da próxima vez. Afinal, sempre há uma nova chance de fazer o certo.
Pode ser que ele seja o cara que a ajudou a encontrar o livro na biblioteca ou aquele que sempre senta ao seu lado no ônibus. Pode ser que ela esteja voltando do trabalho em um dia chuvoso e ele a ofereça seu guarda-chuva ou talvez ela tropece em sua mala no aeroporto. Pode ser que ele ligue para ela por engano e fiquem horas ao telefone ou ele pode perguntar a ela onde fica a padaria mais próxima. Pode ser que um dia, sentada na lanchonete, tomando seu suco de laranja e envolvida na história de um livro, ele puxe a cadeira e pergunte a ela o que está lendo ou talvez ela esteja distraída ouvindo música e ele apareça para tirar seus fones de ouvido. Pode ser que ele esteja aqui ou ali... Ela não sabe. Talvez ele esteja esperando por ela também, mas não sabe onde procurá-la, como encontrá-la, por onde começar. Pode ser que ele a observe todos os dias, mas ainda não achou um jeito de falar com ela. Talvez eles só estejam esperando o momento certo para se conhecerem. Quando isso acontecer, todas as despedidas, todas as desilusões, as noites sem dormir, todas as lágrimas e os desencontros terão sido apenas um desvio. Tudo terá sido apenas um caminho tortuoso para se descobrirem. 

21.3.12

Seus olhos gentis

Foi um estalo. De repente eu me peguei te olhando e não era mais como antes. 
Ainda não sei o que é, nem sei se é alguma coisa. Mas, é diferente.

Quando consegui acalmar minha intensa saudade, você me fez sorrir de contentamento. Ao passo que a minha mente ficou perdida. Perguntando-se onde aquele pensamento poderia chegar. 
Você esbarrou suas mãos macias nas minhas pernas e ali permaneceu. Abraçou-me num tropeço, como perfeito desajeitado que é. Inocentemente, encostou seus lábios em meu rosto e me despertou. Você transborda esse sentimento em cada olhar, cada palavra, cada gesto. Mesmo que eu não quisesse sentir, é inevitável me deixar levar pelo seu carinho. 
Mais uma vez, encontro-me em meio a uma guerra cujas batalhas ainda não perdi. Mas, tenho consciência de que estou fadada a fracassar. Seja por viver isso, por fugir ou por acordar diante de outro sentimento. Não quero me ferir. Não quero ferir ninguém.

4.3.12

Aquele que eu perdi


Como eu poderia não dizer? Ele estava ali, diante de mim, pedindo que eu dissesse. Quase implorando que eu tomasse uma posição, com os olhos marejados de urgência. Eu disse. Mas, deveria ter esperado um momento em que minhas emoções passadas não atrapalhassem mais meu presente. Não dizer é a melhor opção, caso você não tenha certeza do que sente. A verdade, implícita nesse eterno silêncio, pode machucar. No entanto, machucará menos do que a mentira.
Não importa quanto tempo passe, ela permanece viva... incomodando. Mesmo a menor das mentiras, mesmo a mais inocente delas, não vai embora.
Eu dizia tantas vezes que quase cheguei a acreditar. Minto - isso está virando um hábito -, eu acreditei.
Quando já não mais me importava em dizer, repetir, sussurrar, gritar... Ele percebeu. Percebeu e foi embora. Deixou seu sentimento sincero comigo e levou a pior das lembranças. Guardou a mentira em seu peito e até hoje, penso que ainda não cicatrizou. Ele seguiu e me deixou aqui sozinha, lutando contra a mentira ou contra a verdade. Já não sei mais.

2.1.12

Bom dia


Acordei com um sonho ruim na cabeça. Daqueles amargos, tristes, que chegamos a sentir o desespero, a tensão no ar. Mas, não quero dizer nada com isso. Longe de mim, acreditar que sonhos são previsões ou algo do gênero. Não tenho muito conhecimento a respeito. No entanto, costumo achar que eles são válvulas de escape do nosso cotidiano. Uma espécie de lugar onde extravasamos todas as nossas raivas, incompreensões, vontades, amores. Onde podemos viver, mesmo que inconscientemente, mesmo que de um jeito irreal, tudo aquilo que desejarmos. Um lugar onde o nosso cérebro descansa do nosso caos diário.

Contudo, hoje não quero falar de sonhos. Quero falar de algo mais singelo, de um gesto que me tirou o fôlego, pela manhã. Eu abria o portão, com olhos tristes, ainda abarrotados pelo sonho conturbado. Já estava ali pensando que este poderia ser mais um daqueles dias de solidão. Não porque eu esteja só, mas porque minha alma se sente solitária. E foi então, que aquele senhor apareceu. Olhou-me por trás dos óculos de grau, com uma inocência tamanha, que quase me pareceu um carinho. Ele caminhava com um ar despreocupado, contente, segurando uma sacola de pão. Nunca o tinha visto antes. Não sei onde ele mora. Mas, hoje passamos de um jeito tão corrido pela vida, que é até provável já tê-lo visto certa vez, mas não ter reparado de verdade.

Ele me olhou dentro dos olhos, poucas pessoas fazem isso. E com aquela simplicidade, desejou-me um bom dia. Foi isso, alguém estranho me dizendo algo simples. Muitos dirão que isso não denota a menor importância. No entanto, naquele momento, foi um gesto de extrema grandeza.

Aquele olhar singelo e aquele cumprimento foram reais. Diferentes do meu sonho. Eles encontraram minha alma solitária e lhe acariciaram. Mostraram a ela que não é preciso de algo grande para sê-lo. Aquele senhor deixou escancarado em seu gesto a necessidade de aprendermos a amar o simples. Talvez o que nos faz sangrar por dentro, o que nos tira a paz, seja justamente não enxergar a beleza, não nos encantarmos mais com os pequenos gestos.
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Sigo, leio e recomendo!