13.10.09

Apenas um dia ruim...


Hoje o dia foi complicado! Acordei as quatro da manhã com uma terrível dor de cabeça, levantei para tomar um remédio, e adivinhem? Bati a cabeça na cabeceira da cama, e de quebra não achei os chinelos. Fui até a cozinha, enchi um copo com água, tomei o bendito remédio e pisei em um caco de vidro. Ignorei o sangue que pingava e deitei na cama para tentar tirar pelo menos uma soneca antes de amanhecer.
Tocou o despertador, não tinha dormido nada, e ainda fiquei um tempão para disfarçar as terríveis olheiras decorrentes da noite mal dormida. Lembrei que tinha uma apresentação importantíssima, a qual definiria uma grande promoção a alguém do meu setor. Pelo menos nessa parte acredito ter me dado bem.
Saí para o almoço, morrendo de fome, pensando na lasanha da minha mãe. Porém, tive que me contentar com um hamburguer no Fast Lanches. Sendo que para não fugir da rotina de um dia que começou com o pé esquerdo, derrubei molho na minha camisa branca novinha que, diga-se de passagem, foi uma extravagância. Voltei à empresa para terminar um relatório que comecei há meses, mas para minha felicidade, o computador resolveu parar de funcionar e provavelmente terei que começar tudo de novo! Um tempo depois, saí para pagar algumas contas do apartamento e na volta já passei para pegar o André na escola - é, ser mãe solteira não é fácil!
Durante o caminho, ele me contou que o amigo cortou o queixo na hora do intervalo porque estava correndo demais, que a professora elogiou seu trabalho de história e que ele achou estranho quando uma menina da sua sala, Luana, deu-lhe um beijinho na bochecha. Filhos são coisinhas fofas, mas de vez enquando confesso que dá uma vontade de apertar um botão para desligar.
Cheguei em casa exausta, e ainda tive que arrumar alguma coisa para o pequeno comer. Sentei para assistir alguma série interessante, mas logo aquele cabelinho preto e liso foi se apossando do meu colo, senti que o controle da TV havia sido roubado das minhas mãos cansadas para colocar em um desenho. Decidi assistir com ele, pois não conseguia mover um músculo.
Apesar do meu estado perturbador e deprimente, consegui prestar atenção em alguma coisa, e meu Deus, como tem lixo na televisão! Programação infantil na minha época tinha mais conteúdo, já que no final do desenho sempre conseguíamos tirar uma lição. Hoje, se as crianças não ficarem agressivas depois de meia hora em frente ao televisor já será uma grande coisa.
Finalmente meu garotinho dormiu, estava quase acompanhando-o quando ouço uma propaganda da Zorra Total para o dia seguinte. Credo! Só de escutar aquilo já perdi algumas ligações de neurônios. É uma pena que não aproveitem o talento tão grande de alguns dos humoristas que aparecem no programa. É triste saber que meu filho crescerá em meio a tanta porcaria.
No entanto, não era dia para muitas reflexões. Coloquei meu garotinho na cama, dei um beijinho de boa noite e pensei que finalmente teria uma ótima noite de sono. Duas horas depois, André chega berrando no quarto por causa de um pesadelo e insiste em ouvir uma história - eu mereço!
Tive que ler Peter Pan duas vezes e ainda explicar para ele que a Terra do Nunca, infelizmente, não existe. - não quero que ele cresça pensando que a vida é uma fantasia, de vez enquando até que vai, mas ele precisa se acostumar com a realidade. Contudo, meu garotinho quase me convenceu do contrário. - como aprendemos com as crianças!
E quer saber, no final das contas, valeu a pena não dormir quase nada. Mesmo sabendo que terei que enfrentar outro dia como o anterior quando acordar.







- Era para ser um texto sobre a insistência da TV aberta em colocar programas do tipo lixo cultural. Porém, deu pra notar que não foi bem isso que saiu. Mesmo assim, obrigada a Gabi pela indicação do tema :D

9.10.09

Palavras ao vento...



Desde criança uma sonhadora,
Que por vezes esquece de si mesma e dos amigos.


Gosta de sorvete, praia e chocolate,
Mas prefere o namorado quando está com saudade.


Tentou não rimar,
Mas assim as palavras não saíam,
Os sentimentos se escondiam.


Porém, a vontade de escrever foi maior.
Como sempre, colocou-se em primeiro lugar,
Sem saber até que ponto vai chegar.


Sem tudo que gosta ela é só metade,
É céu estrelado, sem estrelas;
É mar bravo, sem ondas;
É luar, sem lua;
É calor, sem Sol;
É o mundo, sem você.


Buscou felicidade,
E encontrou saudade.
Buscou respostas,
E encontrou perguntas.
Buscou luz,
E encontrou escuridão.
Buscou amor,
E encontrou a ti.


Foi criança por acreditar em tudo,
Por não duvidar do mundo,
Por ser quem ela é.
Foi romântica por querer carinho,
Por te ter pertinho,
Por acreditar em promessas.
Foi mulher por tomar decisões,
Por deixar de lado as ilusões,
Por se fortalecer.

5.10.09

Baile de Máscaras



Entro no salão e avisto belíssimas fantasias. É possível notar a diversidade entre elas, cada uma com sua peculiaridade. No entanto, três delas me chamam muita atenção.
Suas donas nem sempre ficam juntas. Ora em um canto ora em outro, ora conversando com uma ora falando com outra. Decidi observá-las, tentar entendê-las. Estranho, não?! Saí para me divertir, me distrair, e acabo me atendo a pessoas que nem conheço. No fundo eu sabia que alguma lição eu tiraria daquilo, pois essa curiosidade não poderia ser em vão.
Comecei com a que mais me intrigava. Aquela que não usava de sua fantasia para chamar atenção, como as outras faziam, mas sim, a sua inteligência. Ela conquistava a confiança, na medida do possível, dos que estavam a sua volta, e quando esse estágio terminava, distorcia o que lhe diziam, e em um ato súbito, contava segredos que antes lhe foram confiados. Interprete como quiser, mas para mim isso chama manipulação, diga-se de passagem, feita com muita maestria. E podem me taxar de injusta, no entanto, não sei até que ponto é humana atitude tão traiçoeira.
Partindo para a próxima atração, ou como queiram chamar, me deparo com uma máscara feita com muito esmero, cuidadosamente tecida, pura e simplesmente para chamar atenção. A fantasia, meticulosamente costurada para vidrar os olhos que se atrevessem a observá-la. A partir disso, mostrava-se frágil e amigável, a fim de tornar-se sua mais nova companheira. Contudo, à medida que se afastava, inventava histórias dos novos amigos, colocando-se no papel de vítima. Conquistando assim, mais admiradores para o seu arsenal particular, alcançando com isso muita popularidade.
E por fim, mas não menos importante, minha última atração. Aparentou ter certo cuidado excessivo com a imagem, fazendo com que a fantasia se adequasse à ela, enfatizando suas qualidades.
Até então, não encontrei nada muito singular, nada que realmente me interessasse de fato. Foi preciso um pouco mais de cautela, de paciência para delimitar o perfil superficial com o qual me deparei. Uma pessoa muito contraditória, que prefere aparentar algo que não é para conseguir reconhecimento e amizades.
Ao termino do baile senti-me sobrecarregada de informações, as quais não estava hábil a dissolver. Precisei de algum tempo para compreender a grandiosidade do que acabara de presenciar. Talvez a ignorância, nesse caso, fosse menos dolorosa. No entanto, era necessário uma epifania para, finalmente, enxergar as pessoas de uma outra maneira.

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