22.2.10

Descontrole


Uma gota desliza por seu rosto amargurado e embrutecido;
Chega até seu peito vazio, impuro, humano.
Deixa transparecer um sentimento adormecido;
Aquela sensação de desejo súbito, inconsciente, insano.


11.2.10

A humanidade é desumana...



Quando o sol bater

Na janela do seu quarto

Lembra e vê

Que o caminho é um só.

Porque esperar se podemos começar tudo de novo

Agora mesmo

A humanidade é desumana

Mas ainda temos chance

O sol nasce pra todos

Só não sabe quem não quer

Até bem pouco tempo atrás

Poderíamos mudar o mundo

Quem roubou nossa coragem?

Tudo é dor

E toda dor vem do desejo

De não sentirmos dor.

Legião Urbana.

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Se você conseguiu entender a grandiosidade dessa letra, já é um pequeno passo. Particularmente, leio a poesia de Renato e percebo que há anos a sociedade, apesar de uma mudança aqui outra ali, continua a mesma. Ou, ele simplesmente tinha tamanha sensibilidade para enxergar mais além. O que não duvido por nenhum segundo.
Egocentrismo, essa é a palavra chave da contemporaneidade. Uma sociedade alienada perante ao mundo e a si mesma; uma juventude despreocupada com o futuro; um turbilhão de informações mal aproveitadas; e a violência que ganha mais espaço a cada dia.
Em meus momentos de reflexão, penso e não consigo entender porque chegamos a esse ponto ou ainda, porque deixamos chegar a esse ponto?!
O crescimento do nosso país foi lento, continua com a mesma lentidão e continuará da mesma forma ao que tudo indica. Economicamente e, talvez até, politicamente eu não tenha aptidão para discorrer ou criticar. Afinal, meu conhecimento de causa é um tanto precário. Contudo, há situações na vida em que não é necessário uma vasta compreensão para que consigamos enxergar as falhas. Começando pelo sistema geral de funcionamento social, já podemos ter uma base.
Analisemos então:

  • Os políticos que deveriam nos representar e zelar por uma melhora gradativa da condição de vida, corrompem-se no instante em que assumem o posto do poder; roubam o dinheiro público sem pudor, das maneiras mais esdrúxulas possíveis; desrespeitam o eleitor que lhe confiou seus direitos. Este, não os reivindica, por medo ou por pura comodidade. Dança conforme a música e permite o desleixo dos primeiros.
  • A educação brasileira, comparada a de outros países com maior desenvoltura, deixa a desejar. A maior parte dos alunos não compreende o valor do conhecimento, posicionando-se de maneira confortável diante de suas obrigações. Os mesmos, perderam a noção de tempo e espaço, abolindo quase que completamente o respeito pelos profissionais e colegas que lhes rodeiam. Passam de ano como quem passa de um lado para o outro da rua; levam o período acadêmico na brincadeira, esquecendo-se das possíveis consequências. E esses são os médicos, advogados, vereadores, jornalistas etc, que estamos criando.
  • Qualidade na área da saúde e boa alimentação são privilégios dos mais abonados. Os cidadãos desprovidos de um alto padrão social sofrem com a precariedade de ambos. A população morre, cada dia mais, pela escassez de alimentos básicos, e até mesmo por falta de pronto-atendimento em casos graves ou urgentes de saúde. Infelizmente não há distinção, essa situação ocorre em todas as faixas etárias, destruindo famílias e sonhos.

Considerando as informações acima, as tragédias que tem ocorrido com certa frequência e a instabilidade ambiental que está nos pegando em nossas próprias armadilhas, é impossível não se sensibilizar ou se indignar com a falta de mobilização e comprometimento do ser humano com a vida.

Não permita que a variação constante de valores, conceitos, princípios e padrões faça de você uma pessoa insensível e mais alienada. Certifique-se de que está fazendo a sua parte, na medida da sua realidade como indivíduo. Comprometa-se consigo mesmo e incentive quem está em seu convívio para que também entre nessa luta incessante por solidariedade.

2.2.10

Desabafo indesejado


As vezes quero ser sincera comigo mesma. Dizer que algumas áreas da minha vida não vão muito bem. Quero simplesmente ouvir um incentivo interior. Porém, nada escuto.
Os esforços não possuem grande valia, os elogios não perduram, os amigos vem e logo vão embora, as tardes tempestuosas tornam a chegar, ideias perdidas não encontram seu lugar.
Conselhos. Talvez o momento não seja propício para julgar a maneira como uma pessoa vive, ou, talvez eu não seja tão esperta e boa com as palavras como pensava.
Em diversos momentos penso em abandonar o barco, nada mais. No entanto, no fim, eu preciso continuar tentando. Seria muita covardia da minha parte. E o que seria do futuro se não aguentasse o presente. Já que este, é muito mais simplório e sereno.
Há tantos argumentos que gostaria de expor, tantos pensamentos soltos, que se possuísse a força e a determinação que almejei durante toda a vida, diria sem medo de ser contrariada ou ser jogada ao chão com uma grande teoria.
As vezes quero ser sincera comigo mesma. Dizer a quem amo tudo que precisa ouvir, sem hesitar. Apenas falar o que vier na mente e mais, sentir que aquilo surte efeito.
Eu não sei se o egoísmo tomou conta de todo o meu ser, e me transformou em alguém que simplesmente não sabe conviver. Temo que os meus sonhos estejam em um patamar tão elevado, que jamais consiga alcançá-los. Contudo, não deixarei de criá-los, planejá-los, cultivá-los.
Minha mente está cheia de espaços não preenchidos. Pois as maravilhosas ideias que tenho, nunca são boas o suficiente para serem colocadas em prática. Tudo não passa de uma brincadeira de casinha, na qual eu monto tudo, invento a história, brinco um pouco e depois guardo o resto da fantasia para a próxima vez.
Não acho que esteja aproveitando bem o meu tempo. Na verdade, não sei muito bem o que faço com ele. Quando me dou conta, perdi oportunidades, deixei de fazer o que queria, perdi pessoas, deixei de me aproximar do meu eu, de descobrir o que sou e o que posso ser.
As vezes quero ser sincera comigo mesma. Dizer em minha própria face tudo aquilo que penso dessa garota fútil e imatura que cobra o contrário de todos a sua volta, do alto de seu pedestal de hipocrisia.
Olhar pra essa pretensão toda que me rodeia, que faz parte de quem eu sou e dizer: Sim, você é um fracasso!
E mais, me sentir melhor por isso.

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