Desvairados

Desabafo indesejado


As vezes quero ser sincera comigo mesma. Dizer que algumas áreas da minha vida não vão muito bem. Quero simplesmente ouvir um incentivo interior. Porém, nada escuto.
Os esforços não possuem grande valia, os elogios não perduram, os amigos vem e logo vão embora, as tardes tempestuosas tornam a chegar, ideias perdidas não encontram seu lugar.
Conselhos. Talvez o momento não seja propício para julgar a maneira como uma pessoa vive, ou, talvez eu não seja tão esperta e boa com as palavras como pensava.
Em diversos momentos penso em abandonar o barco, nada mais. No entanto, no fim, eu preciso continuar tentando. Seria muita covardia da minha parte. E o que seria do futuro se não aguentasse o presente. Já que este, é muito mais simplório e sereno.
Há tantos argumentos que gostaria de expor, tantos pensamentos soltos, que se possuísse a força e a determinação que almejei durante toda a vida, diria sem medo de ser contrariada ou ser jogada ao chão com uma grande teoria.
As vezes quero ser sincera comigo mesma. Dizer a quem amo tudo que precisa ouvir, sem hesitar. Apenas falar o que vier na mente e mais, sentir que aquilo surte efeito.
Eu não sei se o egoísmo tomou conta de todo o meu ser, e me transformou em alguém que simplesmente não sabe conviver. Temo que os meus sonhos estejam em um patamar tão elevado, que jamais consiga alcançá-los. Contudo, não deixarei de criá-los, planejá-los, cultivá-los.
Minha mente está cheia de espaços não preenchidos. Pois as maravilhosas ideias que tenho, nunca são boas o suficiente para serem colocadas em prática. Tudo não passa de uma brincadeira de casinha, na qual eu monto tudo, invento a história, brinco um pouco e depois guardo o resto da fantasia para a próxima vez.
Não acho que esteja aproveitando bem o meu tempo. Na verdade, não sei muito bem o que faço com ele. Quando me dou conta, perdi oportunidades, deixei de fazer o que queria, perdi pessoas, deixei de me aproximar do meu eu, de descobrir o que sou e o que posso ser.
As vezes quero ser sincera comigo mesma. Dizer em minha própria face tudo aquilo que penso dessa garota fútil e imatura que cobra o contrário de todos a sua volta, do alto de seu pedestal de hipocrisia.
Olhar pra essa pretensão toda que me rodeia, que faz parte de quem eu sou e dizer: Sim, você é um fracasso!
E mais, me sentir melhor por isso.

Aqueles que leio quando a inspiração me falta!

A desvairada...

A desvairada...
Faço das palavras o meu refúgio. Abrigo-me nos versos que fazem parte da loucura em minha mente. Pois esta que vos escreve tem sede de expressão!