10.8.11

'Estou aprendendo também...

Ela arriscava uns versos tímidos, sem rima ou rigor. Balançava a cadeira e deixava o vento fazer o resto. Sentia uma leveza, uma magia, um toque dos anjos.
Todas as noites, sentava no peitoril da janela e tentava imaginar quantas estrelas seriam necessárias para te conquistar, quantos daqueles versos atingiriam seu coração.

Ela arriscava uns dois ou três olhares discretos, sem deixar claro o verdadeiro amor. Passava na frente da porta vermelha com um ar desinteressado. Podia sentir o calor de sua incerteza, a intensidade de sua dúvida, a vontade de se apresentar.
Todas as tardes, andava nas ruas e tentava lembrar dos momentos que ainda não tinham sido vividos, dos caminhos que não foram trilhados, das palavras que não foram ditas.

Ela arriscava uns suspiros antes de acordar, sem entender porque eles ainda apareciam. Rabiscava o canto da folha como quem pede atenção. Ouvia a música ao longe, a voz chegando como um sussurro.
Todas as manhãs, falava para si mesma que uma nova oportunidade estava por vir e tentava se convencer da própria força.

5.7.11

O imprevisível


Deitados na rede assistíamos ao pôr-do-sol.
Eu nem acreditava naquele momento, parecia nem fazer parte daquela cena. Talvez fosse um sonho e eu acordaria em alguns segundos.
Não. Era mesmo realidade. Ele realmente fazia parte da minha vida.




Eu sai pra fotografar, só isso. Peguei minha câmera e simplesmente sai, sem direção, sem destino. Eu queria encontrar a imagem ao acaso, ver gente, movimento e esquecer um pouco a solidão.
Eu fotografava uma menina linda - olhos verdes, cabelo castanho, vestido amarelo. -, fotografava sua pureza e despreocupação. Ela estava no balanço como se aquela fosse a atividade mais importante, como se toda sua felicidade estivesse ali, no vento passando pelos fios de cabelo, na sensação de poder voar, naquele instante.
Aprendi com ela que , na verdade, a felicidade está dentro de nós, não nas pessoas, nos objetos, nos bens...Está em nós.

Eu continuei caminhando em busca do próximo clique. Estava tão distraída em meio aos meus pensamentos que esbarrei em alguém. Foi simples assim...Nos esbarramos.
Quando me virei, era ele. Eu não sei explicar o que senti. Foi como encontrar um amigo, alguém que você gosta muito e que conhece desde sempre. Foi como se eu estivesse esperando encontrá-lo, como se quisesse estar ali por um motivo especial.
Fiquei olhando pra ele por alguns segundos. Talvez mais do que uma pessoa normal, em uma situação comum, demoraria pra pedir desculpa. Mas, para minha surpresa, ele também parecia estar hipnotizado como eu.
Demorou mais um tempinho até que ele perguntasse se nos conhecíamos de algum lugar. Respondi que não. Ele parecia confuso e ao mesmo tempo tão decidido....Pegou a minha mão e disse pra sairmos dali, foi simples assim.
Daquele momento em diante eu percebi o porquê da urgência dele, daquele desespero por segurar a minha mão. Depois daquele dia, ele nunca mais a soltou.

Ele me surpreendia todo tempo, eu nunca sabia qual seria o próximo passo. Sempre fui controladora, organizada e gostava de manter essa ''ordem''. No entanto, ele apareceu e bagunçou minha mente, meu coração, toda a minha vida....E eu, simplesmente, não liguei. Ao contrário, eu adorava estar perdida. Talvez seja porque, apesar dessa incerteza em relação ao passo seguinte, eu me sentia completamente segura com ele.
Era tudo muito imprevisível, sem motivo...Ele fazia cada instante juntos se transformar no mais especial, mais até do que eu poderia imaginar.
Ele me fazia sorrir mesmo quando me sentia triste, desanimada. Ele conversava comigo sobre todos os assuntos, me entendia de uma forma que nem eu sabia que alguém poderia entender, aceitava os meus defeitos, manias e frescuras com uma simplicidade que era tão típica dele. Eu me sentia livre, plena, em paz.
Ele apareceu de repente, me fez viver de verdade. Me mostrou que é bom arriscar as vezes, que ficar sempre fazendo as mesmas coisas, com as mesmas pessoas, do mesmo jeito, cansa. Me despertou pra vida!

Muita gente diz que precisamos encontrar alguém estável, com responsabilidade, que tenha uma vida equilibrada, reta. Ele ia contra todos os rótulos e indicações. E, talvez, se não tivesse sido tão simples, tão de repente, eu não teria percebido que ele estava ali.
Sempre procurei o cara ''perfeito'', mas só o encontrei realmente quando parei de procurar, quando ele simplesmente apareceu em meio a toda sua imperfeição.


13.5.11

Tic Tac

Uma vez um amigo me disse:

"O tempo não pára pra você recolher os cacos do que foi quebrado."

Desde então eu percebi que para certas atitudes não há uma segunda chance. A vida continua e o mundo realmente não pára porque você brigou com os pais, terminou com o namorado ou não tem dinheiro pra pagar a conta do mês. Por mais que os amigos estejam por perto para nos consolar ou ajudar nos momentos difíceis, a responsabilidade dos nossos atos é somente nossa. Ninguém pode decidir ou consertar as coisas por nós.

A partir dessa reflexão é necessário que estejamos sempre em equilíbrio interiormente. Alguns dirão que é impossível, pois o ser humano não apenas vive no caos, como também é o próprio caos. Eu discordo. Penso que, se tentarmos de verdade, conseguimos controlar nossos pensamentos, ações, desejos, enfim, nos controlar. É ilusão achar que podemos também controlar o outro, mas o nosso eixo conseguimos endireitar.

Quando estamos em equilíbrio passamos essa imagem para frente e estimulamos as outras pessoas ao nosso redor a também buscá-lo. Isso acontece muito com a alegria. Quando alguém é alegre, contagia os outros... Alegra.
Precisamos agir de forma correta, para que assim possamos esperar um retorno.

Parece até uma receita de bolo ou um trecho de um livro de auto-ajuda. Mas é preciso enxergar além, é preciso mudar nos pequenos detalhes de seu cotidiano para alcançar algo mais.
Disse uma professora:

"A partir do momento que você solta as palavras, elas não pertencem mais a você.''

Entendi isso de duas formas:
1- Cuidado com o que diz, pois sempre tem alguém ouvindo e essa pessoa pode não entender da melhor forma.
2- As palavras são perigosas, têm muito poder.
Isso implica em um controle diário e sistemático do que dizemos. De modo que nesse espaço eu já posso ter cometido muito erros.

O que eu quero dizer com tudo isso é que ter controle, ou tentar tê-lo, não significa uma vida perfeita, mas sim a tentativa de ser o melhor que você pode a cada dia.

25.4.11

Freedom















Acordei com aquela sensação estranha de estar encurralada.
Encurralada por mim mesma, por meus próprios pensamentos e escolhas.
Sinto-me presa.
Presa dentro das minhas normas, regras e limites.
Quero tanto controlar tudo, que acabo perdendo o controle.


1.4.11

'Um belo dia resolvi mudar...'

O ser humano é inconstante, mutável, metamórfico.


Da janela do ônibus eu via. Via além dos carros apressados, das senhoras distintas cheias de sacolas nas mãos, das linhas de expressão daqueles com muita história pra contar, das tendências expressas nas vitrines, dos risos adolescentes, dos olhares distantes. Eu via pessoas, indivíduos que na manhã seguinte acordariam diferentes. Se melhores ou piores, não sei dizer, mas com certeza diferentes estariam. Talvez as senhoras não fossem mais tão distintas, as histórias não fossem contadas, as tendências fossem outras, os risos fossem lágrimas... E os olhares? Esses permaneceriam distantes, aconchegados em outro plano. Aquele em que se pode sonhar, refletir, construir, ser. Sem limites, restrições ou pudor, podemos ser o que desejarmos ser.
E nessa brincadeira de metamorfose é que construímos nossa identidade. Se é que existe mesmo uma. Talvez apenas construamos a nossa, para mais tarde a derrubarmos e construirmos tudo outra vez. Aplicamos em nosso dia a dia os nossos pensamentos conturbados, nosso cáos interior. Fazemos de nossas atitudes espelhos da nossa loucura, aquela que fica escondida atrás dos nossos olhos.
Essa é a constância da vida humana, mudar a cada episódio, momento, crise, revelação. Renovar-se, superar-se, evoluir.


P.s.: E o que pensamos por trás dos nossos olhares longínquos?

29.1.11

'Saudade somente do que o futuro nos trás'


Entrei no quarto. Cama feita, lençóis estendidos, janelas abertas. Dei de cara com aquela vista... Que saudade de sentir a água batendo em meus pés, a brisa passando pelos meus cabelos e o Sol queimando, como se pudesse me libertar, deixando as energias ruins em outro plano.
De longe avistei o banco na calçada, aquele em que nos sentávamos e passávamos horas falando sobre o sentido da vida, a importância da fé e o quando devemos acreditar em nós mesmos e em nossos sonhos;
Foi ao seu lado, ou apoiada em você, que aprendi a superar meus medos, a me levantar quando tudo parecia perdido, a enxergar sempre além de mim e do resto do mundo, a ter humildade para saber perder e sabedoria para alcançar o sucesso.
Nós dois aprendemos a encontrar forças nos lugares mais inusitados, e hoje, mesmo que não possa mais ouvir, agradeço a sua paciência, perseverança e, principalmente, seu amor.
Aqui, nessa casa de praia, lembro-me de como é bom ter uma família, mesmo que ela não seja como as outras, (com uma avó que vem visitar aos finais de semana, um cachorro pra fazer companhia, uma mãe para enxugar as lágrimas e contar histórias antes de dormir ou viagens nas férias com muita bagunça), mesmo sendo só nós, só uma dupla. Dois que foram todos esses juntos um ao outro, sempre.
Pai e filha.
Não chorarei, pois até posso ouvi-lo dizer:

- ''Sabe por que Deus lhe deu seus próprios pés? Para que, quando eu não estiver mais aqui, consiga trilhar seu caminho, sem mim!''

Sinto que me deixou preparada, que a partir daqui eu consigo! Chegou a hora de caminhar sozinha...



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