5.7.11

O imprevisível


Deitados na rede assistíamos ao pôr-do-sol.
Eu nem acreditava naquele momento, parecia nem fazer parte daquela cena. Talvez fosse um sonho e eu acordaria em alguns segundos.
Não. Era mesmo realidade. Ele realmente fazia parte da minha vida.




Eu sai pra fotografar, só isso. Peguei minha câmera e simplesmente sai, sem direção, sem destino. Eu queria encontrar a imagem ao acaso, ver gente, movimento e esquecer um pouco a solidão.
Eu fotografava uma menina linda - olhos verdes, cabelo castanho, vestido amarelo. -, fotografava sua pureza e despreocupação. Ela estava no balanço como se aquela fosse a atividade mais importante, como se toda sua felicidade estivesse ali, no vento passando pelos fios de cabelo, na sensação de poder voar, naquele instante.
Aprendi com ela que , na verdade, a felicidade está dentro de nós, não nas pessoas, nos objetos, nos bens...Está em nós.

Eu continuei caminhando em busca do próximo clique. Estava tão distraída em meio aos meus pensamentos que esbarrei em alguém. Foi simples assim...Nos esbarramos.
Quando me virei, era ele. Eu não sei explicar o que senti. Foi como encontrar um amigo, alguém que você gosta muito e que conhece desde sempre. Foi como se eu estivesse esperando encontrá-lo, como se quisesse estar ali por um motivo especial.
Fiquei olhando pra ele por alguns segundos. Talvez mais do que uma pessoa normal, em uma situação comum, demoraria pra pedir desculpa. Mas, para minha surpresa, ele também parecia estar hipnotizado como eu.
Demorou mais um tempinho até que ele perguntasse se nos conhecíamos de algum lugar. Respondi que não. Ele parecia confuso e ao mesmo tempo tão decidido....Pegou a minha mão e disse pra sairmos dali, foi simples assim.
Daquele momento em diante eu percebi o porquê da urgência dele, daquele desespero por segurar a minha mão. Depois daquele dia, ele nunca mais a soltou.

Ele me surpreendia todo tempo, eu nunca sabia qual seria o próximo passo. Sempre fui controladora, organizada e gostava de manter essa ''ordem''. No entanto, ele apareceu e bagunçou minha mente, meu coração, toda a minha vida....E eu, simplesmente, não liguei. Ao contrário, eu adorava estar perdida. Talvez seja porque, apesar dessa incerteza em relação ao passo seguinte, eu me sentia completamente segura com ele.
Era tudo muito imprevisível, sem motivo...Ele fazia cada instante juntos se transformar no mais especial, mais até do que eu poderia imaginar.
Ele me fazia sorrir mesmo quando me sentia triste, desanimada. Ele conversava comigo sobre todos os assuntos, me entendia de uma forma que nem eu sabia que alguém poderia entender, aceitava os meus defeitos, manias e frescuras com uma simplicidade que era tão típica dele. Eu me sentia livre, plena, em paz.
Ele apareceu de repente, me fez viver de verdade. Me mostrou que é bom arriscar as vezes, que ficar sempre fazendo as mesmas coisas, com as mesmas pessoas, do mesmo jeito, cansa. Me despertou pra vida!

Muita gente diz que precisamos encontrar alguém estável, com responsabilidade, que tenha uma vida equilibrada, reta. Ele ia contra todos os rótulos e indicações. E, talvez, se não tivesse sido tão simples, tão de repente, eu não teria percebido que ele estava ali.
Sempre procurei o cara ''perfeito'', mas só o encontrei realmente quando parei de procurar, quando ele simplesmente apareceu em meio a toda sua imperfeição.


5 comentários:

  1. engraçado, agora, a unica coisa que eu preciso é de alguem que venha pra organizar essa bagunça toda que eu sou, e que seja meio louco...porque a loucura faz parte

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  2. Anónimo25.7.11

    Feliz dia do escritor,m vc merece! tsc tsc

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  3. É... O que comentar diante dessa pérola?

    Naty, você tem um dom maravilhoso para dar uma cutucada nos sentimentos mais profundos do ser humano. Pena que nem todas as mulheres saibam valorizar homens como esse do texto quando os encontram, assim como o oposto também acontece e com muito mais frequência.

    Fantástico guria!!! Excelente!!!

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  4. tão simples e tão profundo ao mesmo tempo...sempre tive e sempre terei orgulho de você s2'

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  5. Naty, você conseguiu definir no último parágrafo o que demorei 35 anos para descobrir. Quando parei de procurar a mulher "perfeita" encontrei a mulher imperfeita mais perfeita para mim. E foi simples assim!!
    Parabéns pelo seu texto, nos faz pensar. Um beijo grande do padrinho.

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