10.9.09

Saudade dos meus tempos de lancheira...




Esses dias saindo para o intervalo, vi várias criancinhas - sempre fofas, diga-se de passagem - correndo com suas lancheirinhas nas mãos. Nesse exato momento me bateu uma nostalgia, uma saudade de não ter que me preocupar com vestibular, provas, namorado, inglês e afins. Uma vontade de simplesmente sair correndo se desse vontade, de só ter uma obrigação: brincar!
É fácil ser criança, só é preciso agir espontaneamente, fazer tudo aquilo que têm vontade, - ok, ok, nem tudo! - pois sempre terá aquele adulto que dirá : " Deixa a menina...ela ainda é pequenininha, não briga com ela." No entanto, quando você cresce percebe que não é assim. Você é responsável por seus atos e sempre encontrará uma consequência ao final de cada caminho que escolher seguir, de cada decisão que tomar. E, com o tempo, aprenderá que se continuar a ser inocente, será motivo de piada. - uma grande pena. - Perceberá que tudo aquilo que era permitido, hoje não é mais. E com certeza ouvirá : " Para com isso! Já tá grandinha demais para esse tipo de atitude!". O que a sociedade espera?! Que de repente você aprenda a ser adulto?!
As crianças possuem uma simplicidade ímpar, uma naturalidade na maneira de agir de dar inveja. Suas mentes são tão puras, que são capazes de acreditar que todo final de ano, um homem bem velhinho, de barba branca vai até suas casas para deixar presentes àqueles que se comportaram. - ou pelo menos é assim que deveria ser. Contudo, a partir de um determinado estágio, infelizmente, começará o que eu chamo de processo de descoloração da vida, em que seus pais percebem que precisam impor limites e lhe ensinar a infrentar essa caixinha de surpresas, mais conhecida como ser humano. Esse que você conhece como racional, mas logo descobrirá que não é bem assim na prática.
Nesse período final da infância - apesar de achar que ela deveria ser eterna - somos completamente desiludidos, levados a crer em um mundo totalmente diferente do qual fazíamos parte, aquele mundo da fantasia, no qual bastava imaginar e tudo se tornava exatamente como queríamos, tendo que nos adaptar, pura e simplesmente, à realidade!


3.9.09

Quem me dera, ao menos uma vez, dar valor às coisas simples...


Como dizia meu querido Renato Russo, acompanhado da banda Legião Urbana:

"Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente."

O capitalismo nos fez egoístas, nos fez confundir a expressão viver bem, com uma necessidade fútil de possuir o que não precisamos.
Talvez sejamos duros demais com a elite, eles apenas não possuem informações sobre o resto do mundo, pois se fecharam no seu próprio. Ou, quem sabe, eles apenas não se interessem pelo que não lhes convém.
Não serei hipócrita, é claro que tenho muitas coisas das quais não preciso realmente, e quando saio de casa me deparo com um turbilhão de produtos que gostaria de ter, também desnecessários. E esse comportamento não é por minha culpa, nem sua. É dos publicitários que maqueiam a realidade, transformando-na em um sonho momentâneo, e principalmente da educação que todos nós recebemos, sem excessão, ao longo de várias gerações.
É triste saber que nem todos usufruem dos direitos existentes na nossa Constituição, que a igualdade, a liberdade e a fraternidade foram esquecidas por grande parte da população. Mais triste ainda é saber que enquanto há pessoas ganhando tanto dinheiro que nem sabem como gastar, há outras sem tê-lo nem para comer.
Depois dessa introdução, você pode estar pensando: Qual é o próximo passo, nos convencer a aderir ao comunismo?
Definitivamente não. Apenas acredito que é perfeitamente possível vivermos em harmonia nesse país detentor de tantas riquezas. Por que não dividir uma parte mínima do que possuímos com quem é obrigado a sobreviver com muito menos. No entanto, se já é complicado sensibilizar os intelectuais, imagine os leigos...
Para mim existem dois grupos de pessoas, um que não se importa com a situação alheia porque, com eles, a vida tem sido bem generosa; e aqueles que passam por tantas dificuldades, que não tem tempo para tentar salvar o mundo. O segundo, na minha concepção, provém de uma explicação muito mais plausível.
Constitua em sua vida a obrigação de observar as "paisagens" ao seu redor com senso crítico. Não estou pedindo para doar todas as roupas da sua família a uma ONG, que ofereça ao seu Deus todo seu patrimônio, que distribua seu dinheiro na rua para qualquer um que passar. Pois você sabe que, salvo algumas excessões, tudo que construiu até hoje é fruto de trabalho duro, seja essa conquista uma nota alta no boletim ou a compra do primeiro apartamento. Peço apenas o mínimo de sensibilidade da sua parte, para que sempre que tiver oportunidade de ajudar alguém, seja essa ajuda grande ou pequena, não se negue a estender a mão. Talvez com esse gesto você não consiga melhorar toda a humanidade, porém, pelo menos terá feito a sua parte.
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