4.5.12

Nós, Robôs


- Não tenho.
- Eu não quero te pedir nada, não sou um mendigo! Você nem me deixou falar... Não dá pra conversar com gente como você.

Essas falas fazem parte de uma cena que vivenciei no terminal. Um rapaz estava sentado ao lado de sua namorada, enquanto esperavam o ônibus. Quando um homem de rua se aproximou, ele reagiu rapidamente. É possível que ele quisesse se livrar da chateação ou talvez tenha feito aquilo apenas para ''se mostrar'' para a namorada. Esse comportamento é comum. Quantas vezes você já deixou o ''hoje não" na ponta da língua e já foi falando, antes mesmo que a pessoa te oferecesse algo? 
É comum porque nós não ligamos para aquela pessoa. Nós nem damos a ela o direito de falar conosco. Talvez por nos acharmos superiores demais ou por, simplesmente, não ligarmos. Há milhares de indivíduos na mesma situação. Há ainda, aqueles que conseguiram sair dessa vida de privações e alcançaram um espaço nas universidades ou no mercado de trabalho. É tão corriqueiro que não existem motivos para esse tipo de coisa merecer o nosso olhar. Nós subestimamos nossos semelhantes.
Os detalhes fazem a diferença. As pessoas podem fazê-la também. Elas só precisam se dar conta da importância que cada instante tem em nossas vidas. Cada momento é único.
Nós estamos acostumados com tudo e acabamos vivendo no "piloto automático". Nosso comportamento é tão robótico que nem enxergamos mais as pessoas. Não enxergamos nada além de nós mesmos.
O ser humano precisa ter a capacidade de se indignar, diz uma professora. Infelizmente, o que acontece em nosso cotidiano é justamente o contrário. As pessoas se habituaram a reagir de maneira padronizada. Elas generalizam comportamentos, respondem da mesma maneira a estímulos diversos. Pior, elas não se importam.

2 comentários:

  1. "O ser humano precisa ter a capacidade de se indignar", diz uma professora. Infelizmente, o que acontece em nosso cotidiano é justamente o contrário. As pessoas se habituaram a reagir de maneira padronizada.

    Você diz que "as pessoas se habituaram a reagir de maneira padroniza", mas você não. Você se indigna e muitos também, assim como você. E agora, inspiradas no que você escreveu, outras pessoas seguirão esse caminho.

    Para mim valeu a tentativa na sala lotada de fazer a turma pensar, valeu muito porque olha aí você! Vou repetir porque acredito "O ser humano não pode perder a capacidade de se indignar nunca, porque se assim for, não nos restará humanidade". Obrigada por ter ouvido e que a onda que você provoca com a pedra que cai sobre a água se espalhe! Zabeçoi! (Profe Juliana Fontanella)

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  2. Entendo o lado o rapaz. Ao lado da namorada, ele é o 'homem' e tem a responsabilidade de prover a segurança. Ele foi treinado pra reagir assim desde a mais tenra idade. Ele simplesmente fez seu 'papel' e cumpriu com sua 'responsabilidade', tudo no piloto automático.
    E o automático tá ligado direto e em alguns casos não sei se tem como desligar. Suspeito que se desligasse, alguns olhariam pro lado e diriam: "e agora, o que devo fazer?", ou então "o que querem/esperam que eu faça?".
    Desligar dá muito trabalho, exige muito. Provavelmente isso é pedir demais.
    A autenticidade faz toda diferença sim, os detalhes também, assim como o calor humano, o respeito e a sinceridade. E tá tudo em falta, no melhor estilo 'tem mas acabou'.
    Pra completar olha isso: https://www.facebook.com/cleide.marchiotti/posts/356038251112649

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Sigo, leio e recomendo!