4.3.12

Aquele que eu perdi


Como eu poderia não dizer? Ele estava ali, diante de mim, pedindo que eu dissesse. Quase implorando que eu tomasse uma posição, com os olhos marejados de urgência. Eu disse. Mas, deveria ter esperado um momento em que minhas emoções passadas não atrapalhassem mais meu presente. Não dizer é a melhor opção, caso você não tenha certeza do que sente. A verdade, implícita nesse eterno silêncio, pode machucar. No entanto, machucará menos do que a mentira.
Não importa quanto tempo passe, ela permanece viva... incomodando. Mesmo a menor das mentiras, mesmo a mais inocente delas, não vai embora.
Eu dizia tantas vezes que quase cheguei a acreditar. Minto - isso está virando um hábito -, eu acreditei.
Quando já não mais me importava em dizer, repetir, sussurrar, gritar... Ele percebeu. Percebeu e foi embora. Deixou seu sentimento sincero comigo e levou a pior das lembranças. Guardou a mentira em seu peito e até hoje, penso que ainda não cicatrizou. Ele seguiu e me deixou aqui sozinha, lutando contra a mentira ou contra a verdade. Já não sei mais.

1 comentário:

  1. Uau!! *-*
    Sempre gostei de como você escreve. Profundidade é a sua especialidade, isso não é novidade. Mas dessa vez você surpreendeu!
    Me senti lendo Lygia Fagundes Telles e só para constar, a sensação que sinto quando leio os textos dela, além da aceleração dos batimentos do meu coração aumentar a imaginação toma conta de mim. Acontece de fato aquilo que dizem a respeito de viajar para outros mundos enquanto lemos.

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Sigo, leio e recomendo!