
Primeira Parte!
E ele estava ali, com os olhos vidrados em mim. Eu podia ver seus lábios se movendo desesperadamente, parecendo que estava tentando dizer algo que já deveria ter sido dito.
Simplesmente não conseguia responder, minha voz havia se calado, meus gritos eram sufocados, como se tivessem apertado o ''mudo'' do controle remoto.
Ah, como era apavorante vê-lo ali segurando minha mão, como sempre fazia quando me sentia amedrontada. Pois neste momento, o chão fora tirado debaixo dos meus pés, não era apenas medo o que eu sentia, era uma composição de angústia, arrependimento, culpa, confusão e sofrimento.
Toda minha vida passava diante dos meus olhos. Porém, eu não sabia o que fazer com aquelas lembranças de dias e noites mal aproveitados. Tantas vezes me queixei do rumo que as coisas estavam tomando, dos problemas que chegavam a todo momento, das inúmeras madrugadas que tive que me debulhar em lágrimas entre as quatro paredes do meu quarto para esquecer minhas frustrações.
Outras milhares de vezes questionei a existência de um Deus, pois como poderia acreditar em tal força se tudo estava de cabeça para baixo nesse mundo insano.
Agora, a beira da minha morte, vejo como fui tola, quantas oportunidades perdi, o quanto me fechei em meu próprio mundinho e esqueci de viver, de aproveitar tantas maravilhas que me foram oferecidas, de me divertir enquanto podia, de como rejeitei pessoas encantadoras que se aproximaram, por mera distração, da maneira que joguei minha existência na lata de lixo.
E nesse instante nada posso fazer, o meu tempo acabou, não terei uma segunda chance, pois essa é muito rara para ser desperdiçada com uma incrédula como eu. Arrependimento não possui mais valor nesse estágio, game over for me...
Aguardem a continuação!