
Esses dias saindo para o intervalo, vi várias criancinhas - sempre fofas, diga-se de passagem - correndo com suas lancheirinhas nas mãos. Nesse exato momento me bateu uma nostalgia, uma saudade de não ter que me preocupar com vestibular, provas, namorado, inglês e afins. Uma vontade de simplesmente sair correndo se desse vontade, de só ter uma obrigação: brincar!
É fácil ser criança, só é preciso agir espontaneamente, fazer tudo aquilo que têm vontade, - ok, ok, nem tudo! - pois sempre terá aquele adulto que dirá : " Deixa a menina...ela ainda é pequenininha, não briga com ela." No entanto, quando você cresce percebe que não é assim. Você é responsável por seus atos e sempre encontrará uma consequência ao final de cada caminho que escolher seguir, de cada decisão que tomar. E, com o tempo, aprenderá que se continuar a ser inocente, será motivo de piada. - uma grande pena. - Perceberá que tudo aquilo que era permitido, hoje não é mais. E com certeza ouvirá : " Para com isso! Já tá grandinha demais para esse tipo de atitude!". O que a sociedade espera?! Que de repente você aprenda a ser adulto?!
As crianças possuem uma simplicidade ímpar, uma naturalidade na maneira de agir de dar inveja. Suas mentes são tão puras, que são capazes de acreditar que todo final de ano, um homem bem velhinho, de barba branca vai até suas casas para deixar presentes àqueles que se comportaram. - ou pelo menos é assim que deveria ser. Contudo, a partir de um determinado estágio, infelizmente, começará o que eu chamo de processo de descoloração da vida, em que seus pais percebem que precisam impor limites e lhe ensinar a infrentar essa caixinha de surpresas, mais conhecida como ser humano. Esse que você conhece como racional, mas logo descobrirá que não é bem assim na prática.
Nesse período final da infância - apesar de achar que ela deveria ser eterna - somos completamente desiludidos, levados a crer em um mundo totalmente diferente do qual fazíamos parte, aquele mundo da fantasia, no qual bastava imaginar e tudo se tornava exatamente como queríamos, tendo que nos adaptar, pura e simplesmente, à realidade!