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28.9.12

{Sur}Real

Meu conto de fadas seria viver a nossa realidade...

Meu príncipe não chegou montado em um cavalo branco, vestido com trajes de baile e trazendo meu sapatinho perdido. Mas, posso dizer que ele me completou nos defeitos e qualidades, trazendo a pitada que faltava para fazer os meus dias especiais.

Ele não se transformou em uma fera e voltou ao normal com o suave toque dos meus lábios, nem foi rude comigo até que eu me apaixonasse. Pelo contrário, conquistou-me diariamente com sua gentileza e generosidade, alegrando minha vida desde o primeiro momento.

Meu príncipe não me salvou dos feitiços de uma bruxa má e vaidosa. Também não se encantou pelo meu canto suave na floresta. Mas, derramou em mim a poção mais poderosa do amor, encantando-me com sua coragem e determinação.

Ele não despertou sua bela adormecida de um sono profundo, muito menos precisou subir em uma torre para me encontrar. Porém, despertou-me para o amor mais puro e verdadeiro, depois de escalarmos juntos imensas montanhas.

Meu príncipe não me fez deixar minha família no fundo do mar, para viver a vida sob dois pés. Pelo contrário, fez-me mergulhar intensamente em um oceano de possibilidades, enquanto mantinha meus pés em terra firme.

Ele não é verde, nem arrota na mesa ou assusta as pessoas. Mas, surpreende-me com sua dedicação e carinho em me fazer feliz, quando coloca de lado seus próprios desejos para realizar os meus. 


Mesmo que não dure para todo o sempre, posso dizer que vivi a mais bela história dos contos de fada, quando encontrei o meu príncipe. Nem menos nem mais encantado, mas só meu.

11.6.12

"É complicado estar só...

Quem está sozinho que o diga
Quando a tristeza é sempre o ponto de partida
Quando tudo é solidão
É preciso acreditar num novo dia"

Legião Urbana - Natália

Há momentos em que fraquejamos. Sentimos vontade de desistir, jogar tudo para o alto e ficar apenas olhando para trás.
Nos apegamos aos detalhes, as fases, aos desafios e obstáculos do passado. Nos apegamos as pessoas, aos amores e aos amigos que já não fazem mais parte de nossas vidas. Procuramos no passado algum conforto, algo que nos remeta a uma felicidade partilhada. Buscamos nas lembranças aquilo que pensamos faltar hoje. 
Tentamos encontrar a felicidade nas realizações, no trabalho, no amor...Esquecemos que ela depende das nossas escolhas, da nossa perspectiva, do nosso equilíbrio particular. Esquecemos que a felicidade não dura para sempre. Neste caso, o para sempre realmente não existe. Podemos nos sentir felizes por um momento, por alguns minutos, por horas, até dias.  Mas, estar feliz exige dedicação em tudo que fazemos, exige que transformemos cada instante em uma conquista, que aproveitemos cada segundo. Não estamos prontos para isso. Não queremos estar felizes, queremos ser felizes. Por isso, é tão complicado encontrarmos a felicidade também nos momentos de solidão. 
É difícil estar só, machuca, é duro, nos desestabiliza. Afinal, acreditamos, desde criança, que precisamos encontrar um parceiro. Nos ensinaram que dois é melhor do que um e que juntos somos mais fortes. Por isso, perdemos as forças quando temos que caminhar sozinhos. Perdemos o rumo. Achamos que não somos capazes de seguir em frente. Fazemos isso porque não nos basta estar só. 
Talvez seja esse o nosso erro: projetar nas pessoas aquilo que esquecemos de procurar em nós mesmos.


1.6.12

Uma dose de bobagem, por favor!


Entre a ressaca do martíni e a do cinema, prefira a segunda! 
Os indivíduos contemporâneos vivem constantemente cercados por pressão. É a mãe que grita, o namorado que reclama atenção, o chefe que pede o relatório, o professor que exige novos trabalhos, as notas na faculdade que variam entre o ruim e o pior... Impossível dar conta. Precisamos fugir da realidade de vez em quando. tanto para ser feito e há tanta cobrança também que, em alguns momentos, é necessário desligar-se e dedicar um período apenas ao relaxamento de nossas mentes. Nessas ocasiões, os filmes podem ser grandes aliados. O cinema pode funcionar como uma dose de bobagem para que consigamos encontrar um equilíbrio ou, pelo menos, um gás para enfrentarmos as complicações cotidianas.
Há quem goste do cinema europeu, mas quando falamos em bobagem, nada melhor do que um típico filme hollywoodiano. Afinal, a indústria de Hollywood conseguiu desenvolver um sistema de identificação da sociedade com suas produções. Conseguimos nos enxergar nos mocinhos ou nos vilões, relacionamos os sonhos e as vontades deles com as que temos. Melhor, temos a ideia de que é possível alcançar a felicidade e atingir os nossos objetivos. Os filmes “massificados” nos dão esperança. Eles mexem com nossas emoções e, principalmente, estimulam nossa imaginação.
A estética de Hollywood constrói produções quase palpáveis. É fácil entrar e viajar junto com a história, pois os elementos, o ambiente, os atores... Tudo não passa de uma representação quase fiel da realidade e do comportamento humano. Por cerca de 90 ou 120 minutos nos desligamos do nosso mundo para entrarmos em outro. Para nós, esse outro lugar é como o que vivemos, a diferença é que nele tudo dá certo no final e no último momento, nos últimos segundos antes de aparecer o “the end” a felicidade sempre rouba a cena. O mocinho abraça intensamente sua amada, eles se beijam e todo o sucesso está garantido. É isso que realmente queremos. Desejamos ser surpreendidos com uma felicidade premeditada. Gostaríamos que a nossa vida fosse como nessas comédias românticas baratas em que o personagem principal leva uma vida comum e sem graça, a não ser pelo fato de se dar mal desde o início. Ele acha que nunca vai encontrar o amor verdadeiro ou já o encontrou, mas não tem chances. De repente, algo maravilhoso acontece. Nos filmes hollywoodianos é tudo previsível e é isso que a maior parte das pessoas procura: estabilidade. Queremos saber exatamente onde estamos pisando e, claro, queremos ser felizes – mesmo que seja apenas na última cena, pois é esse sentimento que nos dá vontade de percorrer nossos caminhos, essa esperança de que o nosso final também seja feliz. O cinema, com essa imagem progressista norte-americana acalenta nossas preocupações, é um refúgio quando estamos descontentes, uma possibilidade de nos realizarmos – ainda que por alguns minutos.

2.1.12

Bom dia


Acordei com um sonho ruim na cabeça. Daqueles amargos, tristes, que chegamos a sentir o desespero, a tensão no ar. Mas, não quero dizer nada com isso. Longe de mim, acreditar que sonhos são previsões ou algo do gênero. Não tenho muito conhecimento a respeito. No entanto, costumo achar que eles são válvulas de escape do nosso cotidiano. Uma espécie de lugar onde extravasamos todas as nossas raivas, incompreensões, vontades, amores. Onde podemos viver, mesmo que inconscientemente, mesmo que de um jeito irreal, tudo aquilo que desejarmos. Um lugar onde o nosso cérebro descansa do nosso caos diário.

Contudo, hoje não quero falar de sonhos. Quero falar de algo mais singelo, de um gesto que me tirou o fôlego, pela manhã. Eu abria o portão, com olhos tristes, ainda abarrotados pelo sonho conturbado. Já estava ali pensando que este poderia ser mais um daqueles dias de solidão. Não porque eu esteja só, mas porque minha alma se sente solitária. E foi então, que aquele senhor apareceu. Olhou-me por trás dos óculos de grau, com uma inocência tamanha, que quase me pareceu um carinho. Ele caminhava com um ar despreocupado, contente, segurando uma sacola de pão. Nunca o tinha visto antes. Não sei onde ele mora. Mas, hoje passamos de um jeito tão corrido pela vida, que é até provável já tê-lo visto certa vez, mas não ter reparado de verdade.

Ele me olhou dentro dos olhos, poucas pessoas fazem isso. E com aquela simplicidade, desejou-me um bom dia. Foi isso, alguém estranho me dizendo algo simples. Muitos dirão que isso não denota a menor importância. No entanto, naquele momento, foi um gesto de extrema grandeza.

Aquele olhar singelo e aquele cumprimento foram reais. Diferentes do meu sonho. Eles encontraram minha alma solitária e lhe acariciaram. Mostraram a ela que não é preciso de algo grande para sê-lo. Aquele senhor deixou escancarado em seu gesto a necessidade de aprendermos a amar o simples. Talvez o que nos faz sangrar por dentro, o que nos tira a paz, seja justamente não enxergar a beleza, não nos encantarmos mais com os pequenos gestos.

Sigo, leio e recomendo!